Por Jocilene Barros
Quatorze
dos 15 vereadores da Câmara Municipal de Anápolis votaram pela retirada de um
parágrafo do artigo 228 da Lei Orgânica do Município (Loma), que prevê a
realização de abortos, nos casos previstos em lei, pelos hospitais públicos. A
proposta de emenda foi apresentada pelo vereador Pedro Mariano (PP) e aprovada
em primeiro turno, na quarta-feira (22). Declara o vereador que sancionou a
lei, com a seguinte fala “como cristão e como católico que eu sou, sou
radicalmente contra o aborto”.
Com certeza
o nobre vereador vê o mundo pela fresta de uma fé estreita, sem questionar a
quem pertence o corpo da mulher. A discussão sobre a lei do aborto tem sido
acirrada. Nos últimos anos foi usada como pano de fundo na campanha do governo
Dilma pelo seu adversário político José Serra e outros, na sua tentativa
frustrada de tirar votos, junto com os igrejeiros, como o Pastor Silas Malafaia.
As
feministas se resguardam na discussão, vendo por outra vertente, que só pode
discutir o corpo da mulher, a própria mulher. È preciso que esse debate seja
travado entre as igrejas e os movimentos feministas. É necessário que
discutamos os dois argumentos, não uma discussão isolada, pelos nobres
vereadores e meia dúzia de leigos. É necessário analisar a partir da
perspectiva teórica e metodológica de pensadores como Bourdieu, entendendo
assim a religião como ato simbólico do indivíduo. Vendo assim, percebo que
esses debates é a necessidade de politiqueiros mal politizados, sem nenhuma
profundidade na política da mulher e representantes de igrejas, padres,
pastores, bispos e outros, em busca da monopolização da verdade. Até hoje, na
história, nessa visão prevaleceu uma verdade: a religiosa. É necessário outros
recortes no momento em que se antecede ao 08 de Março, o Dia Internacional da
Mulher, em busca de igualdade.
Nas
indagações sobre o aborto, uma das discussões centrais é onde começa a vida.
Indaga-se o momento exato em que o embrião torna-se um ser humano. O fato é que
não dá para ficar girando a roda, o aborto é uma realidade triste na vida das
mulheres brasileiras. As mulheres que decidem abortar sentem-se marginalizadas
na hora de procurar ajuda em um posto de saúde, usando assim o artifício de que
o aborto não foi provocado. Onde paciente tenta enganar o médico e o médico
finge que acreditou.
Alguns
representantes da ciência médica têm dúvidas quanto ao exato momento a partir
do qual se pode falar em vida humana. Penso eu pelo recorte do pensamento feminista,
tendo como principal argumento o direito inalienável da mulher ao próprio corpo,
sob a alegação de que o aborto constitui um problema de fórum íntimo e que deve
ser lhe dado o direito de escolha quanto ao número e o momento de ter filhos ou
não. Creio que cabe ao Estado fornecer atendimento não só nos casos de abortos
permitidos pelo Código Penal Brasileiro, evitando assim a clandestinidade do
aborto.
A posição das igrejas não permaneceu estática
durante os séculos. As igrejas procuraram transformar-se, a maioria tornaram-se
eletrônicas, facilitando assim a exploração da fé humana, do que contribuir com
a verdade da ciência social. Não que seja uma regra, mas a maioria das pessoas
que estão a frente das igrejas, cospem teorias, algumas vazias, outras não, mas
visando benefício próprio.
Quanto aos
nobres vereadores de Anápolis, creio eu que temos tantos problemas sociais a
serem discutidos, como as crianças e jovens que se evadem das escolas para o
crack, a destruição do meio ambiente, a ausência de saúde pública, os modelos
de creches que não suprem a necessidade das mulheres trabalhadoras e outros.
Não podemos
permitir que o corpo da mulher seja ditado por homens em pensamentos isolados.
Companheiras
é inadmissível permitirmos esses abusos de alguns vereadores e imposições religiosas
que nada tem haver com a fé. Creio eu que Jesus Cristo se envergonha
profundamente da maioria dos representantes de igrejas, sendo assim, que alguns
usam de violência contra mulheres e abusam da boa fé. O amor e a ética só são
falácias. Políticos usam do poder para explorar mulheres. E essa forma de lei
também é violência.
Não sei
onde começa a vida, eu só sei que as mulheres que praticam aborto tem vida e
merecem respeito. E vamos avançar e deixar para trás as discussões banais, que
com certeza não deram muitos votos ao José Serra. Melhor assim.
Nenhum comentário:
Postar um comentário