Jovens da CMB e UBM com Ailí, de Cuba (ao centro), coordenadora do Encontro da Mulher Jovem realizado no XV Congresso da FDIM.
Ailí Labañino é filha de Ramón Labañino, um dos cinco heróis cubanos presos ilegalmente em cárceres dos EUA.
Ailí Labañino é filha de Ramón Labañino, um dos cinco heróis cubanos presos ilegalmente em cárceres dos EUA.
As
jovens mulheres da Confederação das Mulheres do Brasil saúdam as
delegadas das organizações de todo o mundo, filiadas a Federação
Democrática Internacional de Mulheres. Para nós, é uma grande honra ter o
nosso país escolhido como sede do XV Congresso da FDIM, que se realiza
em um momento ímpar para a luta de libertação das mulheres. Acreditamos
que a crise econômica que estourou no coração de Wall Street e
rápidamente se alastrou para outros centros imperialistas, tem jogado
sobre os ombros da juventude, em especial das jovens mulheres, a maior
parte de suas terríveis conseqüências.
Em
Portugal, por exemplo, o desemprego entre jovens de 18 a 24 anos chegou
a 30%, na Grécia a impressionantes 42,5% e na Espanha a absurdos 48%.
Não por outro motivo, a juventude se destaca na luta contra essas
políticas, em Portugal, a “Geração a Rasca”, mobilizou centenas de
milhares no dia 12 de março deste ano, realizou protestos contra o
desemprego e a queda nas condições de vida da população.
E
quanto mais se aprofunda a crise nos países imperialistas, mais
evidente se torna a selvageria e degeneração de suas ações militares de
guerra e ocupação, em exemplo, o Afeganistão, Iraque e Líbia, aonde
inúmeros casos de violência sexual contra as mulheres vem sendo
denunciados.
No
Brasil, a luta dos partidos progressistas e dos movimentos sociais é
para impedir que os monopólios imperialistas nos empurrem a fatura para
que paguemos pela crise que criaram. Para isso, esta na ordem do dia a
diminuição da taxa de juros reais paga aos banqueiros, de 4,9%, a maior
do mundo, e o enfrentamento a drenagem de quase 50% do orçamento do
governo federal para pagamento a título de juros e amortização da
divida. A CMB e UBM junto com as centrais sindicais, entidades
estudantis e empresários vem realizando uma serie de manifestações pelo
Brasil afora, cujo centro são estas bandeiras. Poucos dias antes do
congresso da FDIM, houve um desses atos na cidade de São Paulo que teve a
participação de 90 mil pessoas.
Acreditamos
que o governo da presidente Dilma tem plenas condições de implementar
estas bandeiras. Dilma foi a principal ministra do governo popular do
Presidente Lula, se tornou a primeira mulher eleita presidente da
republica em nosso pais. Iniciou a sua luta na juventude, tendo sido
presa e torturada aos 18 anos por conta da sua luta pela liberdade
contra a ditadura militar. Seu governo valorizou e ampliou
expressivamente a participação feminina nos ministérios e empresas
públicas, e se tratou de uma grande conquista das mulheres brasileiras.
No
entanto, a luta pelos direitos das mulheres brasileiras, em especial
das mulheres jovens, ainda tem um considerável caminho pela frente, e
para seguirmos adiante precisamos superar alguns obstáculos:
Ocupar o mercado de trabalho em setores estratégicos e de chefia
E
preciso que exista uma ação do Estado para promover a ascensão das
mulheres em setores estratégicos. Hoje, a entrada feminina no mercado de
trabalho ainda se concentra em profissões que são na verdade extensão
do trabalho que já exerce em sua casa, a exemplo do trabalho doméstico,
que hoje no Brasil ocupa 7.223.000 pessoas, sendo 93% mulheres.
Ocupar vagas em cursos superiores e técnicos estratégicos para o desenvolvimento do país
A
inserção das mulheres no mercado de trabalho ganhou uma grande força
com a implementação de políticas sociais que facilitaram o acesso da
juventude ao ensino superior, como o PROUNI, o FIES e a expansão das
universidades federais, as matrículas aumentaram, segundo o INEP
(instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira)
em 81,14%, de 2000 a 2007, sendo que a participação das mulheres
aumentou 76,92% no mesmo período. Hoje, de acordo com Censo de Educação
Superior, as mulheres ocupam 55,1% das matrículas existentes no ensino
superior brasileiro, mas ainda são minoria em cursos estratégicos como
engenharia elétrica 7% e civil 15%, enquanto em serviço social,
pedagogia e enfermagem a participação delas e de 98, 93 e 91%,
respectivamente. O estado deve agir para garantir a qualificação das
mulheres, ampliando também a sua inserção nos cursos estratégicos.
Garantir que as jovens mulheres iniciem de forma segura, sua vida sexual
Todas
devem ter acesso às informações e a todos os meios de prevenção de
doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada, para que esta
fase seja vivida de forma prazerosa e segura.
Combater a mortalidade materna
No
Brasil a mortalidade materna chega a alarmantes 68 óbitos por 100 mil
nascidos vivos, assim, para solucionar este grave problema é fundamental
que o pré-natal seja garantido a todas as gestantes e o atendimento
médico adequado para mulheres que tiveram de recorrer ao aborto.
Fazer cumprir a lei 6202/75, que garante a licença maternidade para as jovens estudantes
As
jovens universitárias não tem direito de fato a licença maternidade.
Apesar de termos conseguido a aprovação de uma Lei que deveria nos
garantir isso, o fato e que ela não e cumprida pelas mantenedoras de
universidade além de ser muito pouco divulgada.
Garantir creche integral para todas as crianças
A
existência das creches é essencial, inclusive, nas universidades e nos
locais de trabalho, pois este equipamento social é fundamental para que
as jovens possam se desenvolver de forma plena na formação acadêmica e
no mercado de trabalho.
Combater o Tráfico de Mulheres
Estamos
atentas e combatendo o Tráfico de Mulheres e a utilização das mulheres
na prostituição, como mercadoria, nesses tempos em que se aproximam
eventos internacionais como a Copa do Mundo e as Olimpíadas.
Democratização dos monopólios de comunicação
Queremos
garantia de acesso a cultura, o direito à formulação e a identidade de
nosso próprio país. Os meios de comunicação são fortemente usados para
ceifar nossas raízes, nos impondo uma cultura “enlatada” que nada tem a
ver com os nossos povos e que visa nos submeter a sua dominação. Assim
querem fazer também com as nossas lutas, não nos dando espaço na mídia e
nos forçando a buscar maneiras alternativas para divulgar as nossas
bandeiras. Para garantir que nossa luta seja divulgada decidimos criar
junto com a fundação da CMB a Revista Brasil Mulher dando voz à mulher
brasileira. Com isso temos conseguido furar o bloqueio gerado pelos
interesses da “grande” mídia que não tem compromisso com a nossa luta.
Vamos à luta! Viva as mulheres jovens de todo mundo! Viva a FDIM!
Brasília, 8 de abril de 2012
III Encontro de Mulheres Jovens da FDIM




