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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

As Evas em Goías, as três faces



Por Joscilene Barros 


Agradecimento a todas as mulheres goianas e brasileiras pelo enfrentamento e resistência contra o machismo e avanço nas políticas para mulheres.
Inicia-se o Mês da Mulher. Esta data é para refletirmos a trajetória das mulheres que lutaram bravamente pela emancipação feminina e feminista. Em todas as áreas da sociedade as mulheres  dedicaram suas vidas a lutas pela emancipação dos oprimidos.  Muitas morreram nas trincheiras ou perderam seus filhos nas guerrilhas ou  mesmo na guerra injusta do capitalismo desumano, que deixa homens e mulheres estressados e deprimidos na busca da sobrevivência. Aliás, é fácil entender que não há  vida plena nesse corre-corre, mas  somente sobrevivência, cuja  palavra, na maioria das vezes, significa o contrário do que diz: na verdade “subvivemos”.  O corre-corre a que nos referimos nos desumaniza nos empurrando para o péssimo comportamento de  atropelarmo-nos uns aos outros ladeiras a baixo,  na tentativa de pormos as  mãos no que nos é imposto pelo marketing do consumo exacerbado. Uma dessas imposições  desumanas é a busca neurótica pela eterna juventude.

Refiro-me aqui   a três faces de Eva em Gioás:  a política da mulher em Goiás começou com as indígenas das tribos goyases.  Belas mulheres enfrentaram a violência da passagem dos bandeirantes, verdadeiros  “anhangueras” (diabos velhos) que estupravam e matavam. Hoje, vergonhosamente, esse é o  nome da maior avenida de Goiânia. Contudo,  na realidade, os anhangueras estão mais  para diabos velhos – significado real dos exploradores e assassinos bandeirantes - que  estupraram e matararam mulheres e as culturas indígenas.

A outra face de Eva nasceu da construção de Goiás, quando homens saiam em tropas deixando as  mulheres em casa cuidando dos filhos, defendendo-se dos viajantes que por ali passavam. Muitas escreveram músicas, poesias enquanto seus companheiros exerciam papéis de caçadores, faziam política escondida, pois naquele tempo o voto era negado às mulheres, que não se expressavam em público, cuidavam das feridas dos escravos e os ajudavam a  defender-se do chicote dos capitães do mato,  na realidade, eram vitimas dos invasores das terras brasileiras.

A terceira face de Eva se manifesta com o tempo.  A mulher goiana se modernizou. Quando viajamos para fora do estado ou do país ouvimos o  primeiro comentário referindo-se a beleza das mulheres goianas.  Isso é verdade. Mas precisamos ser muito mais do que bonitas: precisamos mergulhar na transformação política. A ciência confirma que não há transformação de idéias que não passe pelo campo e pela prática políticas:  ocupar nosso papel nas câmaras municipal, estadual  e federal, defender o povo goiano, não só enquanto estado do sertanejo ou pé vermelho,  como dizem por ai, mas como mulheres aguerridas, donas do seu tempo. A mulher está no poder, mas o poder tem que ser conquistado todos os dias. Para que isso aconteça, precisamos sair do nosso comodismo e levantar as bandeiras, dizermos não para os bandeirantes atuais, que  continuam chicoteando os pobres que pegam os ônibus,  às 5 da manhã, que deveríamos  chamar não de ônibus mas de lata de sardinha.  Políticos que representam a classe dominante fazem promessas “tucanadas” e, uma vez no poder, nos violentam barbaramente como os bandeirantes fizeram  com as indígenas. Precisamos dizer não para os abusos participando de cursos e práticas de formação política, formar grupos filosóficos, discutir nossa própria realidade. Pensando e lutando assim, companheiras, é que avançaremos com justiça na construção da face do terceiro rosto de Eva.  É evidente que essa construção faz parte da edificação da sociedade justa do futuro para todos, baseada no  respeito entre homens, mulheres, crianças, jovens e velhos de todas as etnias como pessoas integralmente.
Jucilene Pereira Barros, agradeço primeiramente a minha mãe Rosa Pereira Barros que me deixou como legado a luta por igualdade. Algo que aprendi aos 7 anos, quando o Regime Militar , num momento vergonhoso do nosso pais, deixou órfãs tantas crianças, mães que jamais enterrarão o corpo de seus filhos.  O meu sincero carinho a todas as mulheres que perderam seus entes queridos na Guerrilha do Araguaia.
O meu carinho e admiração também a todas as mulheres que fazem parte nessa caminhada, da Federação de Mulheres de Goiás e a Confederação de Mulheres do Brasil e a FEDIM. As nossas parceiras como a Associação Pérola Negra, a ONG Mestra, a Associação das Merendeiras de Goiás, o Fórum Goiano de Mulheres e Associação de Lésbicas de Goiás.
Força, Luta , Resistência e Empoderamento as todas as Evas de Goiás.

Confira as outras atividades do 08 de março do Fórum Goiano de Mulheres:



PROGRAMAÇÃO DO FORUM GOIANO DE MULHERES – MÊS DA MULHER 2012

1.       ABERTURA DA JORNADA DE ATIVIDADES DO MÊS DA MULHER Dia: 02/03/2012
                Local: Grande Hotel Avenida Goiás esquina com rua 2 – Centro/Goiânia
                9h - Coletiva com a imprensa
                10h - Abertura da jornada de atividades do mês da mulher
                10h30 – Abertura do Salão de exposições:
§  Mulheres em movimento - da artista Antonieta de Santana
§  Memórias do FGM e das entidades de feministas e de mulheres
19h - Abertura Festiva: Chorinho e Samba com Mulheres

2.       OFICINA DE CARTAZES PARA A MARCHA DAS MULHERES: CORAGEM PODER E LIBERDADE Dia 03/03/2012 ás 16h
Local: Mercado Aberto da Avenida Paranaíba
3.     
  Marcha das Mulheres do Campo e da Cidade: coragem poder e liberdade Dia: 08/03/2012
14h - Concentração na Praça do Bandeirante
15h - Saída para a Praça Universitária
4.       
Show “Mulheres em Canto” Dia: 08/03/2012 às 15h
Local: Praça Universitária
5.      
Luta Livre Feminina: 18h00min Horas. Dia 16/03/2012
Local: Grande Hotel, Avenida Goiás com Rua 3.
Organização: ALEGO – Associação de Lésbicas Goiás, GLG – Grupo Lésbico de Goiás e Federação das Mulheres de Goiás.
6.
Júri Simulado - A situação de violência contra a mulher Dia 29/03/2012 às 08h
Local: Teatro da PUC-Goiás

Fonte: Fórum Goiano de Mulheres e Federação de Mulheres de Goiás.

 Informações : http://www.semira.go.gov.br/
Fonte: SEMIRA.

Congresso Internacional da Federação Democrática das Mulheres




Em 2012 a Federação Democrática Internacional de Mulheres - FDIM completará 67 anos de sua heróica trajetória de luta pela igualdade dos direitos da mulher e dos povos.

A Confederação das Mulheres do Brasil – CMB se orgulha de presidir a FDIM há 8 anos, com nossa ex-presidenta, Márcia Campos. Foi a primeira vez que uma liderança feminina da América Latina assumiu tal responsabilidade. Com coragem, garra e determinação, Márcia tem exercido essa presidência valorizando a luta das mulheres de todos os continentes, de cada país, organizando a FDIM de forma ampla, vibrante e participativa.

É por este motivo, que a direção da FDIM, reunida recentemente em seu Comitê de Direção em Portugal, decidiu também pela primeira vez em sua existência, modificar o estatuto de modo a garantir que Márcia seja presidenta novamente, para mais um mandato.

A FDIM atua, através de suas organizações filiadas, nos países de todos os continentes, por suas Oficinas Regionais América e Caribe, Europa, África, Países Árabes e Ásia, tendo como suas filiadas 209 organizações nacionais em 139 países.

Pelo progresso social, no final da II Grande Guerra delegadas de 41 países elegeram a primeira presidenta, Eugenie Cotton, destacada personalidade da Francça, cientista e humanista, ativista e militante do Movimento de Resistência, durante o I Congresso Mundial de Mulheres que se realizou de 26 de novembro a 1º. de dezembro de 1945 em Paris. Sob as grandes mobilizações mundiais que tiveram como ápice o surgimento de entidades humanistas, erguidas com o intuito de varrer o nazismo da face da terra e reconstruir dezenas de países arrasados pela Guerra, nasce a FDIM, fruto da mobilização de todo povo e das mulheres para que a paz no mundo continuasse existindo.
O programa da FDIM aprovado, conclamou as mulheres a se unirem para:
- Conquistar, praticar e defender os direitos das mulheres como mães, trabalhadoras e cidadãs;
- A defesa dos direitos das crianças a vida, ao bem-estar e a educação;
- Conquistar e defender a Independência Nacional e as Liberdades Democráticas, pela abolição do Apartheid, a discriminação racial e o fascismo;
- Pela Paz e pelo Desarmamento Universal.

MULHERES DE TODO O MUNDO CONSTRUINDO A PAZ JUSTA COM DIREITOS,
IGUALDADE E DESENVOLVIMENTO – XV CONGRESSO DA FDIM NO BRASIL

66 anos depois, também pela primeira vez, o Brasil, as mulheres Brasileiras e Toda Nação, terá a honra de receber o XV Congresso da FDIM , que reelegerá Márcia Campos, representante da CMB, como sua presidenta. Já estão confirmadas 140 organizações femininas de todos os continentes, de 82 países, com aproximadamente 500 delegadas, que estarão de 8 a 12 de abril, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães em Brasília, enriquecendo os debates, coesionando e unificando nossas lutas em todo mundo.

A partir do dia 5 de abril, 70 integrantes do Comitê de Direção da FDIM estarão chegando em nosso país, para participarem da reunião preparatório ao XV Congresso. No dia 7 de abril chegarão as delegadas, diretamente em Brasília.
Uma atividade fundamental que haverá durante o Congresso será o III Encontro da Mulher Jovem da FDIM. Vamos organizar uma vibrante e calorosa delegação de mulheres jovens da CMB, com representantes de todas os estados. Michelle Bressan, secretária geral da UNE, (michelle.jr8@gmail.com), Karina Sampaio, representante da CMB no Conselho Nacional da Juventude, e diretora de comunicação da Federação das Mulheres Paulistas (karina@paraisopolis.org) e Nina, nossa suplente da CMB no Conselho Nacional de Juventude e Tesoureira da Federação de Mulheres Gauchas, (nina.cta@gmail.com), são as jovens que integram o comando da preparação desse encontro, que será no dia 8 de abril das 9h às 13h.
No dia 8 de abril, das 18:30h às 19h haverá a Abertura da III Festa das Nações e da II Feira do Livro.
No dia 10 de abril, das 9h às 12:30h faremos a Caminhada das Mulheres pela Paz Justa na Esplanada dos Ministérios, quando estaremos mesclando as lutas e bandeiras das mulheres de todo o mundo com as lutas e bandeiras das mulheres de todos os estados de nosso país. À noite, das 19h às 21h, haverá a Celebração da Unidade das Mulheres de Todo o Mundo com a presença de parlamentares, representantes de Governos Federal, Estaduais e Municipais, das Embaixadas, das mais diversas entidades (sindicalistas, patronais, trabalhadores, culturais, empresariais, da igualdade racial, de jovens, estudantes, etc....).
As línguas que serão faladas no Congresso são português, inglês, espanhol, frances e árabe. PRECISAMOS ORGANIZAR O APOIO DE MULHERES, DE TODAS AS IDADES, MAS PARTICULARMENTE JOVENS ESTUDANTES, para que nos ajudem na recepção no aeroporto, nos hotéis, no acompanhamento das delegadas durante todo o congresso, nas conversas e trocas de experiências. “Será valioso termos essa contribuição das companheiras brasileiras”, conclama nossa presidenta Márcia Campos.
 
Venha participar conosco deste momento histórico na luta das mulheres brasileiras e de todos os continentes! Procure as lideranças das Federações Estaduais de Mulheres de seu estado. Ou, entre em contanto conosco pelos email`s: cmbsecretaria@terra.com.br ou c.m.brasil@terra.com.br.
Faça também como Heloísa Santana liderança feminina da cidade de Ferraz de Vasconcenlos: organize durante o mês de março, MÊS MARÇO MULHER, em sua cidade, sua região, seu estado, sua entidade, sua escola, seu local de trabalho, atividades de discussão sobre as questões da luta da mulher, divulgando a realização desse XV CONGRESSO DA FDIM e organizando vossa participação nesse Congresso em Brasília. Envie fotos e notícias para o email da REVISTA BRASIL MULHER, revista que editamos na CMB, trimestralmente, cuja edição de março será dedicada à reeleição da Márcia na presidência da FDIM e a realização deste nosso Congresso Mundial (revistabrasilmulhercmb@gmail.com).
VIVA AS MULHERES BRASILEIRAS! VIVA AS MULHERES DE TODO O MUNDO! PARABÉNS MARCIA CAMPOS, por seu trabalho e seu compromisso!
O XV Congresso tem uma pagina na web que pode ser acessada para terem informações sobre o congresso: www.fdim-widf.org e clicar em XV Congresso que a página web será acessada.

Fonte: FEDIM.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Ditadura sobre o corpo da mulher, na Câmara Municipal de Anápolis, não podemos permitir somos donas do nosso corpo e senhoras da nossa história.


Por Jocilene Barros

Quatorze dos 15 vereadores da Câmara Municipal de Anápolis votaram pela retirada de um parágrafo do artigo 228 da Lei Orgânica do Município (Loma), que prevê a realização de abortos, nos casos previstos em lei, pelos hospitais públicos. A proposta de emenda foi apresentada pelo vereador Pedro Mariano (PP) e aprovada em primeiro turno, na quarta-feira (22). Declara o vereador que sancionou a lei, com a seguinte fala “como cristão e como católico que eu sou, sou radicalmente contra o aborto”.
Com certeza o nobre vereador vê o mundo pela fresta de uma fé estreita, sem questionar a quem pertence o corpo da mulher. A discussão sobre a lei do aborto tem sido acirrada. Nos últimos anos foi usada como pano de fundo na campanha do governo Dilma pelo seu adversário político José Serra e outros, na sua tentativa frustrada de tirar votos, junto com os igrejeiros, como o Pastor Silas Malafaia.
As feministas se resguardam na discussão, vendo por outra vertente, que só pode discutir o corpo da mulher, a própria mulher. È preciso que esse debate seja travado entre as igrejas e os movimentos feministas. É necessário que discutamos os dois argumentos, não uma discussão isolada, pelos nobres vereadores e meia dúzia de leigos. É necessário analisar a partir da perspectiva teórica e metodológica de pensadores como Bourdieu, entendendo assim a religião como ato simbólico do indivíduo. Vendo assim, percebo que esses debates é a necessidade de politiqueiros mal politizados, sem nenhuma profundidade na política da mulher e representantes de igrejas, padres, pastores, bispos e outros, em busca da monopolização da verdade. Até hoje, na história, nessa visão prevaleceu uma verdade: a religiosa. É necessário outros recortes no momento em que se antecede ao 08 de Março, o Dia Internacional da Mulher, em busca de igualdade.
Nas indagações sobre o aborto, uma das discussões centrais é onde começa a vida. Indaga-se o momento exato em que o embrião torna-se um ser humano. O fato é que não dá para ficar girando a roda, o aborto é uma realidade triste na vida das mulheres brasileiras. As mulheres que decidem abortar sentem-se marginalizadas na hora de procurar ajuda em um posto de saúde, usando assim o artifício de que o aborto não foi provocado. Onde paciente tenta enganar o médico e o médico finge que acreditou.
Alguns representantes da ciência médica têm dúvidas quanto ao exato momento a partir do qual se pode falar em vida humana. Penso eu pelo recorte do pensamento feminista, tendo como principal argumento o direito inalienável da mulher ao próprio corpo, sob a alegação de que o aborto constitui um problema de fórum íntimo e que deve ser lhe dado o direito de escolha quanto ao número e o momento de ter filhos ou não. Creio que cabe ao Estado fornecer atendimento não só nos casos de abortos permitidos pelo Código Penal Brasileiro, evitando assim a clandestinidade do aborto.
 A posição das igrejas não permaneceu estática durante os séculos. As igrejas procuraram transformar-se, a maioria tornaram-se eletrônicas, facilitando assim a exploração da fé humana, do que contribuir com a verdade da ciência social. Não que seja uma regra, mas a maioria das pessoas que estão a frente das igrejas, cospem teorias, algumas vazias, outras não, mas visando benefício próprio.
Quanto aos nobres vereadores de Anápolis, creio eu que temos tantos problemas sociais a serem discutidos, como as crianças e jovens que se evadem das escolas para o crack, a destruição do meio ambiente, a ausência de saúde pública, os modelos de creches que não suprem a necessidade das mulheres trabalhadoras e outros.
Não podemos permitir que o corpo da mulher seja ditado por homens em pensamentos isolados.
Companheiras é inadmissível permitirmos esses abusos de alguns vereadores e imposições religiosas que nada tem haver com a fé. Creio eu que Jesus Cristo se envergonha profundamente da maioria dos representantes de igrejas, sendo assim, que alguns usam de violência contra mulheres e abusam da boa fé. O amor e a ética só são falácias. Políticos usam do poder para explorar mulheres. E essa forma de lei também é violência.
Não sei onde começa a vida, eu só sei que as mulheres que praticam aborto tem vida e merecem respeito. E vamos avançar e deixar para trás as discussões banais, que com certeza não deram muitos votos ao José Serra. Melhor assim.
 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Os 80 anos do direito de voto feminino no Brasil



Por Nilva de Souza
Da Agência Patricia Galvão
80 anos do direito de voto feminino no Brasil
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(José Eustáquio Diniz Alves*, para Agência Patrícia Galvão) No dia 24 de fevereiro de 2012, o Brasil comemora os 80 anos do direito de voto feminino. As mulheres passaram a ter o direito de voto assegurado pelo Decreto nº 21.076, de 24/02/1932, assinado pelo presidente Getúlio Vargas, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. Esta conquista, porém, não foi gratuita.
p>A luta pelos direitos políticos das mulheres começou ainda no século XVIII. No início da Revolução Francesa, o Marquês de Condorcet – matemático, filósofo e iluminista – foi uma das primeiras vozes a defender o direito das mulheres. Nos debates da Assembleia Nacional, em 1790, ele protestou contra os políticos que excluíam as mulheres do direito ao voto universal, dizendo o seguinte: “Ou nenhum indivíduo da espécie humana tem verdadeiros direitos, ou todos têm os mesmos; e aquele que vota contra o direito do outro, seja qual for sua religião, cor ou sexo, desde logo abjurou os seus”. As ondas revolucionárias francesas chegaram na Inglaterra e os escritores progressistas Mary Wollstonecraft – no livro A Vindication of the Rights of Woman (1792) – e William Godwin – no livro An Enquiry Concerning Political Justice (1793) – também defenderam os direitos das mulheres e a construção de uma sociedade democrática, justa, próspera e livre.
Mas a luta pelo direito de voto feminino só se tranformou no movimento sufragista após os escritos de Helen Taylor e John Stuart Mill. O grande economista inglês escreveu o livro  The Subjection of Women (1861, e publicado em 1869) em que mostra que a subjugação legal das mulheres é uma discriminação, devendo ser substituída pela igualdade total de direitos.
Com base no pensamento destes escritores pioneiros, o movimento sufragista nasceu para estender o direito de voto (sufrágio) às mulheres. Em 1893, a Nova Zelândia se tornou o primeiro país a garantir o sufrágio feminino, graças ao movimento liderado por Kate Sheppard. Outro marco neste processo foi a fundação, em 1897, da “União Nacional pelo Sufrágio Feminino”, por Millicent Fawcett, na Inglaterra. Após o fim da Primeira Guerra Mundial, as mulheres conquistaram o direito de voto no Reino Unido, em 1918, e nos Estados Unidos, em 1919.
berthalutzNo Brasil, uma líder fundamental foi Bertha Maria Julia Lutz (1894-1976). Bertha Lutz conheceu os movimentos feministas da Europa e dos Estados Unidos nas primeiras décadas do século XX e foi uma das principais responsáveis pela organização do movimento sufragista no Brasil. Ajudou a criar, em 1919, a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, que foi o embrião da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, criada em 1922 (centenário da Independência do Brasil). Representou o Brasil na assembleia geral da Liga das Mulheres Eleitoras, realizada nos EUA, onde foi eleita vice-presidente da Sociedade Pan-Americana. Após a Revolução de 1930 e dez anos depois da criação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, o movimento sufragista conseguiu a grande vitória no dia 24/02/1932.
carlotapereiradequeirosA primeira mulher eleita deputada federal foi Carlota Pereira de Queirós (1892-1982), que tomou posse em 1934 e participou dos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte. Com a implantação do Estado Novo, em novembro de 1937, houve o fechamento do Legislativo brasileiro e grande recuo das liberdades democráticas. Na retomada do processo de democratização, em 1946, nenhuma mulher foi eleita para a Câmara. Até 1982, o número de mulheres eleitas para o Legislativo brasileiro poderia ser contado nos dedos da mão.
Somente com o processo de redemocratização, da Nova República, o número de mulheres começou a aumentar. Foram eleitas 26 deputadas federais em 1986, 32 em 1994, 42 em 2002 e 45 deputadas em 2006 e 2010. Mas este número representa apenas 9% dos 513 deputados da Câmara Federal. No ranking internacional da Inter-Parliamentary Union (IPU), o Brasil se encontra atualmente no 142º lugar. Em todo o continente americano, o Brasil perde na participação feminina no Parlamento para quase todos os países, empata com o Panamá e está à frente apenas do Haiti e Belize. No mundo, o Brasil perde até para países como Iraque e Afeganistão, além de estar a uma grande distância de outros países de lingua portuguesa como Angola, Moçambique e Timor Leste.
mulhervotandobynelsonjr_tsePortanto, as mulheres brasileiras conquistaram o direito de voto em 1932, mas ainda não conseguiram ser representadas adequadamente no Poder Legislativo. Até 1998 as mulheres eram minoria do eleitorado. A partir do ano 2000, passaram a ser maioria e, nas últimas eleições, em 2010, já superavam os homens em 5 milhões de pessoas aptas a votar. Este superávit feminino tende a crescer nas próximas eleições. Contudo existem dúvidas sobre a possibilidade de as mulheres conseguirem apoio dos partidos para disputar as eleições em igualdade de condições.
Nas eleições de 2010, a grande novidade foi a eleição da primeira mulher para a chefia da República. Neste aspecto, o Brasil deu um grande salto na equidade de gênero, sendo uns dos 20 países do mundo que possui mulher na chefia do Poder Executivo. Com a alternância de gênero no Palácio do Planalto, o número de ministras cresceu e aumentou a presença de mulheres na presidência de empresas e órgãos públicos, como no IBGE e na Petrobrás.
Nos municípios, as mulheres são, atualmente, menos de 10% das chefias das prefeituras. Nas Câmaras Municipais as mulheres são cerca de 12% dos vereadores. Mas, em 2012, quando se comemoram os 80 anos do direito de voto feminino, haverá eleicões municipais. A Lei de Cotas determina que os partidos inscrevam pelo menos 30% de candidatos de cada sexo e dê apoio financeiro e espaço no programa eleitoral gratuito para o sexo minoritário na disputa. Os estudos acadêmicos mostram que, se houver igualdade de condições na concorrência eleitoral, a desigualdade de gênero nas eleições municipais poderá ser reduzida.
As mulheres brasileiras já possuem nível de escolaridade maior do que o dos homens, possuem maior esperança de vida e são maioria da População Economicamente Ativa (PEA) com mais de 11 anos de estudo. Elas já avançaram muito em termos sociais e não merecem esperar mais 80 anos para conseguir igualdade na participação política.
eustaquio130
*José Eustáquio Diniz Alves
 é doutor em Demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE/IBGE); apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal.
Contato com o autor: (21) 2142.4689 / 2142.4696 / 9966.6432 -jed_alves@yahoo.com.br
Outras fontes:
Clara Araújo – socióloga e pesquisadoraDepartamento de Ciências Sociais da UERJ e Coordenadora do núcleo de estudos sobre desigualdade e relações (Nuderg) de UERJ(21) 2334-0933 / 8441-2719claramaria.araujo@gmail.com
Guacira de Oliveira – sociólogaCfemea (Centro Feminista de Estudos e Assessoria)(61) 3224-1791 / 9984-5616
Maria Hermínia Tavares de Almeida – cientista política 
Professora da USP
(11) 3091-6029
Silvia Camurça
SOS Corpo – Instituto Feminista para a Democracia(81) 3087-2086 / 9937-8635silvia@soscorpo.org.br
Fonte:Luis Nassif Online

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Mulheres são mais propensas a enfartes sem sintomas.

Muitos ataques cardíacos acontecem sem os sinais típicos, como dor no peito; dificuldade respiratória e até dor no estômago podem sinalizar doença.

As mulheres, especialmente as jovens, são mais propensas do que os homens a procurar hospitais sem sentir dor ou incômodos no peito após um enfarte, e também têm mais chance de morrer do que os homens na mesma faixa etária, mostra um novo estudo americano.

A falta de sintomas pode ser resultado de uma atenção médica tardia e de diferenças no tratamento, disseram os investigadores, que publicaram os dados no Journal of the American Medical Association.  

"É possível que elas sequer saibam que estão sofrendo um ataque cardíaco", declarou John Canto, da Watson Clinic, em Lakeland, Florida, um dos autores do estudo.

O pesquisador destacou que ainda que os resultados estejam baseados em um estudo com mais de um milhão de pacientes que sofreram ataques do coração, ainda são dados preliminares.

No entanto, acrescentou que eles desafiam a noção de que o mal-estar e a dor no peito deveriam ser considerados os "sintomas chave" para todos os pacientes com ataques cardíacos.

"Se nossos resultados de fato estão certos, eu argumentaria que em lugar da ideia que o sintoma agrupa todos os casos, consideremos que as mulheres com menos de 55 anos têm ais risco de apresentarem sintomas atípicos", disse ele.

Tais "sintomas atípicos" podem incluir problemas para respirar ou dor em zonas como queixo, pescoço, braços, costas e estômago.

Canto e seus colegas analisaram os antecedentes médicos de uma base de dados nacional de pacientes com ataques cardíacos entre 1994 e 2006, incluindo cerca de 1,1 milhão de pessoas tratadas em aproximadamente dois mil hospitais.

Os cientistas descobriram que 31% dos homens e 42% das mulheres não apresentaram dor ou mal-estar no peito.

A probabilidade de esse tipo de "sintomas atípicos" difere mais entre mulheres e homens jovens. As mulheres também tendem a ser mais velhas do que eles quando sofrem o primeiro ataque cardíaco. No estudo, a média de diferença de idade foi de sete anos.

As mulheres de 45 anos tinham 30% mais risco do que os homens da mesma idade de ter um enfarte sem apresentar dor no peito. O número cai para 25% na faixa entre 45 e 65 anos, e a diferença desaparece após os 75 anos.

Um padrão similar foi constatado na probabilidade de morte por enfarte, ainda que com diferenças menores entre os gêneros. Pelo menos parte da diferença poderia ser devida à falta de ação de pacientes e médicos quando aparecem sintomas atípicos, diz Patrick O''Malley, do Uniformed Services University of the Health Sciences en Bethesda, Maryland.  

"Não tendemos a pensar em ataque cardíaco em mulheres jovens que não têm dor no peito (...) e, portanto, não somos tão agressivos. Isso atrasa o tratamento", disse o médico, que não participou do estudo.  

Fonte: Estadão.

FMGO na Rádio Difusora, no Programa Palavra de Mulher.


As mulheres da Rádio Difusora do Programa Palavra de Mulher, anteciparam o mês da Mulher. Embora para nós que militamos nos movimentos de valorização da mulher, todos os dias é dia da Mulher. Toda mulher é dona e senhora da sua história. Debatemos o avanço da mulher no mercado de trabalho e a resistência contra violência.



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

AUDIÊNCIAS PÚBLICAS - VC É NOSSA/O CONVIDADA/O


A Prefeitura de Goiânia, por iniciativa da ASPPIR – Assessoria
Especial de Políticas Para a Promoção da Igualdade Racial –, do COMPIR
– Conselho Municipal da Igualdade Racial – e do Grupo GT da Paz,
promoverá audiências públicas com o objetivo de possibilitar a
população goianiense sugerir, debater os problemas da cidade de
Goiânia, e as possíveis soluções, cujos resultados serão repassados ao
Prefeito de nossa capital, Paulo Garcia. Contamos com sua participação
e divulgação desse importante evento. Segue o local, o horário e as
datas com seus respectivos temas:
Local: Câmara Municipal de Vereadores de Goiânia – Sala das Comissões
de Vereadores.

Horários: 18:30h às 22h.

Datas e Temas que seram Abordados:
07/02 - Transporte individual e dificuldades no trânsito.
14/02 - Políticas públicas as drogas e a população de rua.
06/03 - Violência contra Mulher com foco na mulher negra, cigana e indígena
13/03 - Direitos Humanos e Cultura de Paz.
20/03 - Violência contra juventude com foco na juventude negra, cigana
e indígena.
27/03 - Enfrentamento da homofobia.
10/04 - População masculina e saúde pública.
17/04 – Tráfico internacional de pessoas.
24/04 - Cultura nos bairros.
08/05 - Políticas de ações afirmativas e a superação das desigualdades
raciais e sociais.


AV. TOCANTINS, 191 - CENTRO
FONE: (62) 3524-2356 - ASPPIRGO@GMAIL.COM*
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twitter: @asppirgo

XV Congresso da Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM)

08.04.2012 a 12.04.2012
Centro de Convenções Ulysses Guimarães e Museu Nacional - Brasília/DF






Com o lema "Mulheres de todo o mundo construindo a paz justa, com direitos, igualdade e desenvolvimento”, a Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM) realiza o seu o XV congresso. O evento, que acontecerá entre 8 e 12 de abril, em Brasília, será realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães e no Museu Nacional.

Neste XV Congresso, a FDIM vai incorporar os avanços do pensamento revolucionário e feminista internacional, mostrando a admiração e solidariedade irrestrita com as lutas de todas as mulheres do mundo.

A luta da FDIM - que continua a ser o princípio de ação para todas as organizações integrantes da entidade - é contra a guerra e todas as formas de violência. Além disso, neste momento em que o cenário de guerra nos países árabes, de desemprego na Europa e EUA, de aumento do tráfico de mulheres para a prostituição, de crise na área energética e alimentar que afeta muitos países na África, Ásia e América Latina, o pensamento da FDIM tem plena atualidade e relevância.

Entre as ações previstas para a discussão no congresso estão o fortalecimento da aliança antiimperialista entre os nossos povos; a internacionalização do espírito de luta, a globalização das ações das mulheres em prol de impulsionar uma economia sustentável para superar a fome e a pobreza de milhões de pessoas, garantindo emprego digno, defendendo os recursos ambientais, a soberania dos povos e a garantia plena de direitos.

“Mulheres em todo o mundo, hoje como ontem, estamos eticamente obrigadas a dar prioridade à luta global pela paz para impedir todas as guerras, combatendo as novas ameaças imperialistas que ameaçam a humanidade, quer por ataques diretos a partir da NATO ou formas dissimuladas de neo-colonialismo e de exploração dos países imperialistas. Queridas amigas, organizações irmãs e organizações parceiras filiadas à nossa causa! Convidamos você para estar conosco neste XV Congresso da FDIM para interiorizar os mais sentidos objetivos de nossas organizações e dar a força necessária para o movimento de mulheres que lutam por um mundo mais justo, solidário e humano”, convoca a FDIM em Carta-convite.

Mais informações, inscrições e programação podem ser encontradas no sítio da Federação Democrática Internacional de Mulheres.

Fonte:.observatoriodegenero