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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

As Evas em Goías, as três faces



Por Joscilene Barros 


Agradecimento a todas as mulheres goianas e brasileiras pelo enfrentamento e resistência contra o machismo e avanço nas políticas para mulheres.
Inicia-se o Mês da Mulher. Esta data é para refletirmos a trajetória das mulheres que lutaram bravamente pela emancipação feminina e feminista. Em todas as áreas da sociedade as mulheres  dedicaram suas vidas a lutas pela emancipação dos oprimidos.  Muitas morreram nas trincheiras ou perderam seus filhos nas guerrilhas ou  mesmo na guerra injusta do capitalismo desumano, que deixa homens e mulheres estressados e deprimidos na busca da sobrevivência. Aliás, é fácil entender que não há  vida plena nesse corre-corre, mas  somente sobrevivência, cuja  palavra, na maioria das vezes, significa o contrário do que diz: na verdade “subvivemos”.  O corre-corre a que nos referimos nos desumaniza nos empurrando para o péssimo comportamento de  atropelarmo-nos uns aos outros ladeiras a baixo,  na tentativa de pormos as  mãos no que nos é imposto pelo marketing do consumo exacerbado. Uma dessas imposições  desumanas é a busca neurótica pela eterna juventude.

Refiro-me aqui   a três faces de Eva em Gioás:  a política da mulher em Goiás começou com as indígenas das tribos goyases.  Belas mulheres enfrentaram a violência da passagem dos bandeirantes, verdadeiros  “anhangueras” (diabos velhos) que estupravam e matavam. Hoje, vergonhosamente, esse é o  nome da maior avenida de Goiânia. Contudo,  na realidade, os anhangueras estão mais  para diabos velhos – significado real dos exploradores e assassinos bandeirantes - que  estupraram e matararam mulheres e as culturas indígenas.

A outra face de Eva nasceu da construção de Goiás, quando homens saiam em tropas deixando as  mulheres em casa cuidando dos filhos, defendendo-se dos viajantes que por ali passavam. Muitas escreveram músicas, poesias enquanto seus companheiros exerciam papéis de caçadores, faziam política escondida, pois naquele tempo o voto era negado às mulheres, que não se expressavam em público, cuidavam das feridas dos escravos e os ajudavam a  defender-se do chicote dos capitães do mato,  na realidade, eram vitimas dos invasores das terras brasileiras.

A terceira face de Eva se manifesta com o tempo.  A mulher goiana se modernizou. Quando viajamos para fora do estado ou do país ouvimos o  primeiro comentário referindo-se a beleza das mulheres goianas.  Isso é verdade. Mas precisamos ser muito mais do que bonitas: precisamos mergulhar na transformação política. A ciência confirma que não há transformação de idéias que não passe pelo campo e pela prática políticas:  ocupar nosso papel nas câmaras municipal, estadual  e federal, defender o povo goiano, não só enquanto estado do sertanejo ou pé vermelho,  como dizem por ai, mas como mulheres aguerridas, donas do seu tempo. A mulher está no poder, mas o poder tem que ser conquistado todos os dias. Para que isso aconteça, precisamos sair do nosso comodismo e levantar as bandeiras, dizermos não para os bandeirantes atuais, que  continuam chicoteando os pobres que pegam os ônibus,  às 5 da manhã, que deveríamos  chamar não de ônibus mas de lata de sardinha.  Políticos que representam a classe dominante fazem promessas “tucanadas” e, uma vez no poder, nos violentam barbaramente como os bandeirantes fizeram  com as indígenas. Precisamos dizer não para os abusos participando de cursos e práticas de formação política, formar grupos filosóficos, discutir nossa própria realidade. Pensando e lutando assim, companheiras, é que avançaremos com justiça na construção da face do terceiro rosto de Eva.  É evidente que essa construção faz parte da edificação da sociedade justa do futuro para todos, baseada no  respeito entre homens, mulheres, crianças, jovens e velhos de todas as etnias como pessoas integralmente.
Jucilene Pereira Barros, agradeço primeiramente a minha mãe Rosa Pereira Barros que me deixou como legado a luta por igualdade. Algo que aprendi aos 7 anos, quando o Regime Militar , num momento vergonhoso do nosso pais, deixou órfãs tantas crianças, mães que jamais enterrarão o corpo de seus filhos.  O meu sincero carinho a todas as mulheres que perderam seus entes queridos na Guerrilha do Araguaia.
O meu carinho e admiração também a todas as mulheres que fazem parte nessa caminhada, da Federação de Mulheres de Goiás e a Confederação de Mulheres do Brasil e a FEDIM. As nossas parceiras como a Associação Pérola Negra, a ONG Mestra, a Associação das Merendeiras de Goiás, o Fórum Goiano de Mulheres e Associação de Lésbicas de Goiás.
Força, Luta , Resistência e Empoderamento as todas as Evas de Goiás.

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